JOSÉ BARATA

Alfredo José Barata, de nome artístico, José Barata, nasceu a 13 de Setembro de 1956, numa família modesta, de 10 irmãos, dois dos quais já falecidos.
A sua infância não difere da de outros rapazes, jogando futebol, brincando aos berlindes, e outros jogos de crianças designadamente necas.
Tinha vizinhos com quem convivia que tocavam, fazendo eles parte da banda “Os Ibéricos”. Ver os seus vizinhos a tocar, sendo ainda miúdo, despertou nele o gosto pela música através de um irmão de um dos músicos que fazia parte da banda, a cujos ensaios ele era chamado a assistir, por vezes mexendo nas guitarras dos músicos. Foi assim que José Barata e os amigos aprenderam a tocar, numa brincadeira no bairro mas sem nunca pensar que se viriam a tornar músicos profissionais.
Com 13 anos José Barata começou a envolver-se na música.
Um dos vizinhos, de nome Alfredo, era o baterista e praticava paraquedismo, sendo hoje jurista.
Em casa, não lhe era permitido tocar, uma vez que a profissão de músico era mal vista pelos pais.
Actuou pela primeira vez num casamento, numa saída com amigos em que, no intervalo, ao pedirem à banda que estava a actuar para tocar, foi-lhes dada permissão, tendo José Barata e os amigos tocado dois números que foram bem recebidos. Tinha então 15 anos de idade.
A partir desse instante, José Barata e os amigos passaram a receber convites para tocar, na zona onde viviam. Tudo isto acontecia sem nada se saber em sua casa.
José Barata fundou, na companhia dos seus amigos do bairro, o conjunto “Os Breves”. Nessa altura, o seu instrumento predilecto era a viola ritmo.
Aos 16 anos, José Barata tocava com sua banda, sendo um músico conhecido ao nível do bairro, o que transtornava os seus pais, levando-o a dizer:
Eles tinham medo que eu abandonasse os estudos e ficasse um marginal. Essa era uma ideia generalizada, pois o músico era visto como bandido, marginal. E isso inquietava bastante os meus pais.
José Barata teve uma guitarra de presente, vinda de um amigo. Ao apresentá-la em casa, houve uma reacção chocante dos seus pais que a destruíram, levando-o a lamentar:
Eles partiram a minha primeira guitarra revoltados.
Os pais perguntaram-lhe ainda:
Onde queres chegar com isso de música? Que vida queres levar? Quem tu pensas que vais ser com essas coisas de guitarrada?
Depois deste acontecimento, José Barata reduziu as suas actividades, passando a tocar às escondidas.
Nem sempre José Barata recebia o cachet pela sua actuação, receando que os pais se zangassem com ele por tocar guitarra.
Existindo, no seio da sua família, a percepção de que quem tocasse viola era uma pessoa mal comportada, ou um bandido, já que música é coisa de bandidos, não houve ambiente em casa para ele se dedicar à música. Numa ocasião, ao receber o seu pagamento, entregou-o a um amigo para guardar. Eram cinquenta escudos, sendo muito dinheiro, na altura.
Ia buscar dez escudos, em cada dia que passasse, para ir comprar badjias e outras coisas.
Quis o destino providenciar uma saída para a interdição parental. Conta José Barata:
No dia do casamento da minha irmã, havia uma banda a tocar. Eles convidaram-nos ao palco, nós subimos e tocámos a música ‘Mammy Blue’. O público respondeu com palmas, adorou a nossa actuação. Toda a minha família estava ali.
Perante o sucedido, e sem argumentos, os pais renderam-se, para seu alívio, dando-lhe luz verde para ele abraçar a música sem medo. Então, tendo deixado de ser tabu tocar, até lhe passou a ser permitido entrar em casa com a guitarra.

Com a mãe
Por causa das suas lides na música, ainda que furtivamente dos pais, o desempenho escolar de José Barata foi prejudicado, muito embora ele entenda que parte da falha escolar se devia também ao facto de, na sua infância, a língua corrente ser ronga. Desde a classe pré-primária à segunda classe, o facto de o ensino ser em ronga, passando a ser em língua Portuguesa somente a partir da terceira classe, teria contribuído para o seu insucesso escolar. O ensino em ronga, inicialmente, passando a ser em Português, em classes mais adiantadas, teve um impacto negativo no seu rendimento escolar, ao fazer uma transição de uma vivência fora da escola em ronga, para uma nova realidade escolar em Português, língua que ele mal falava.
Diz José Barata que então, ao passar a ter uma professora Portuguesa, houve um choque na transição, explicando:
E não foi fácil assimilar a matéria ouvindo uma branca, pois naquela altura eram Portugueses que nos ensinavam, nos anos 60 e tal, 70 e tal, ouvindo uma voz a dizer assim, a estrela polar, a nebulosa, e não sei o que mais.
III – Entre o Fascínio da Música e a Escola
Conciliar a escola e a música revelou-se difícil, segundo o próprio José Barata pode constatar.
Se, por um lado, a sua carreira musical estava a despontar, dando-lhe algum dinheiro, a complementar os aplausos que ia recebendo, o seu rendimento escolar estava em queda livre. José Barata foi reprovado no 2.º ano do ciclo preparatório (equivalente à 6.ª classe actual) na Escola Joaquim de Araújo, hoje Escola Secundária Estrela Vermelha, onde teve por colegas, como ele próprio conta:
“Fui colega do ilustre malogrado Amade Camal da Sir Motors, recentemente falecido, e do ilustre Ângelo Mondlane que foi economista da SADC.
Em consequência, esteve um ano sem estudar, transitando no ano seguinte para o curso nocturno no Liceu António Enes, actual Escola Secundária Francisco Manyanga.
No seu entender, a razão dos fracos resultados devia-se não só à sua actividade musical, mas também ao seu fraco domínio da língua Portuguesa.
No peíodo da tarde passou a trabalhar numa fábrica de vestuário.
A família internou-o no colégio da Missão de São Roque em Matutuine, Bela Vista, porque a mãe o considerava um cabeça dura, muito embora ele não estivesse de acordo.
Uma vez internado, passou a estar em contacto com os responsáveis do colégio onde estava que eram irmãs de caridade, tendo de falar Português todos os dias. E quando fez a quarta classe, comunicava tanto em ronga como em Português, língua na qual já tinha ganho alguma fluência. Misturava português com ronga, expressando-se numa combinação das duas línguas.
IV – Lançamento no Mercado de Trabalho Ainda Menor
José Barata teve muitas profissões. Quando foi reprovado pela primeira vez, a mãe disse não querer desempregados em casa, explicando-se:
Não quero pessoas que comem de borla aqui. Vai trabalhar. Vou arranjar-te serviço.
A sua mãe era cozinheira numa casa de Portugueses, tendo encaminhado o filho a falar com o seu empregador, dono de uma oficina, mesmo em frente ao Cinema São Miguel, hoje Assembleia da República chamada Autogaragem Imperial.
Com 13 anos José Barata foi trabalhar, na oficina, tendo lá permanecido pouco tempo porque era sujeito a insultos, pontapeado, razão do seu abandono.
Ao informar a mãe da saída, esta zangou-se muito com ele, tendo este alegado em sua defesa:
Ali insultam, ali batem.
Contudo, o patrão disse à mãe que estavam a ensinar o miúdo. Como o miúdo não estava a aguentar, o patrão disse que se deixasse o miúdo ficar em casa.
Mais tarde trabalhou como ajudante de batechapas.
V – Trabalho e Inicio de Carreira Musical
José Barata ficou muito tempo sem estudar, depois de ter feito a quarta classe. Em 1973, aos 17 anos, foi parar numa fábrica de confecções onde a irmã trabalhava, a Investro, no Bairro do Jardim.
A roupa confeccionada, camisas, casacos, era falsamente rotulada como produzida em França ou outros pontos que não Moçambique.
Na fábrica, foi um dos fundadores de uma banda com o nome “Os Kwalas da Investro” e tocava a viola baixo entre 1977 e 1980.
O grupo musical da Investro teve o apoio do grupo dinamizador (estrutura política) da fábrica.
Com a banda vieram as viagens, assim recordando José Barata:
Percorremos vários distritos, como Moamba, Inharrime, Xinavane, Ressano Garcia e províncias deste vasto Moçambique.
O grupo saía regularmente em tournées, indo tocar nos conselhos de produção de outras unidades fabris na Província de Maputo.
As viagens traziam aventura, misturada com aplausos mas acarretavam também faltas na escola. Nas suas próprias palavras, José Barata diz:
Era um bom aluno na escola, mas as faltas eram o meu calcanhar de Aquiles, meu principal problema.
Nessa altura, já não sofria a interferência da família na sua vida.
A maior parte das actuações tinha a ver com o Partido FRELIMO, no poder (até 1992 o único partido existente no País).
Os membros da banda da fábrica não auferiam nenhuma remuneração, sendo-lhes pagas somente as despesas de deslocação, a par da satisfação das viagens, e o respeito e reconhecimento por parte dos colegas. Era tudo feito por amor à camisola.
Os cinco elementos da banda decidiram, a dado momento, voltar aos bancos da escola, motivados pelo facto de que quem tivesse a nona classe naquela altura teria a vida organizada.
Na banda, José Barata e o baterista foram para a Escola Secundária Francisco Manyanga, enquanto o vocalista, o viola solo e o quinto membro de nome Ernesto foram para a Escola Comercial. Ele afirmou mesmo numa entrevista à televisão:
“Todos eles são hoje grandes homens incluindo eu” […entre risos].
VI – Percurso Após Formação Escolar
Em 1980, concluída a 9.ª classe, José Barata tentou encontrar colocação num órgão de comunicação social. Fez uma carta ao Jornal Notícias, uma à Revista Tempo e concorreu a uma vaga na Rádio Moçambique (RM). Apesar de esta vaga ser destinada a estudantes com um nível mais alto de escolaridade, a entrevista correu bem e foi excepcionalmente admitido, apesar de só ter a 9.ª classe mas com uma condição: continuar os estudos. Tendo sido admitido na RM, José Barata já não respondeu à chamada da Revista Tempo recebida três dias depois da entrada na RM.
Foi como José Barata acabou assim por ser trabalhador da RM como técnico de estúdio, até à sua reforma.
José Barata chegou a ser submetido a um teste para a locução na televisão. No entanto, foi‑lhe dito que, não obstante a sua boa voz, anda precisava de melhorar, sendo aconselhado a regressar ao fim de um ano. Não o fez por se sentir bem onde estava.
Foi igualmente submetido a um teste na TVM (Televisão de Moçambique) para ver se lia telejornais, tendo-lhe sido dito que lia e falava rápido. Deveria saber respirar e melhorar, devendo voltar noutra altura, o que ele não fez.
Foi assim que a ideia de entrar no jornalismo que lhe ocorreu, de raspão, acabou por ser esquecida.
Integrou o conjunto “África Power” como viola solo de 1980 a 1983.
Estando ao serviço da RM desde 1980, José Barata fez parte do grupo Micro-Ondas, integrando trabalhadores da RM, visto como uma espécie de Banda RM Júnior que tocava nas festividades da rádio, banquetes e em alguns espectáculos em 1984 e 1985.
Até passar a integrar a banda Micro-Ondas, José Barata era apenas instrumentista, tocando guitarra. Tendo um dia faltado uma corista, num dos concertos, José Barata foi escolhido para cantar, tendo-se saído muito bem. Foi então que José Barata considera ter descoberto este dom, assumindo-se integralmente como cantor e guitarrista.
Com a fuga de quadros do País da maior parte dos membros do grupo, nos anos 1980, para a vizinha África do Sul e para Portugal a banda ficou desfalcada, tendo-se desmembrado.
Perante a dissolução do Micro-Ondas, José Barata, em conjunto com Fernando Azevedo e Pacha Viegas, irmão da Elvira Viegas, embarcou num novo projecto, formando o grupo M2 em 1985.
Era um grupo de estúdio que não trabalhava nos palcos, bem afinado, que acompanhava os músicos na gravação das suas músicas. O nome M2 era inspirado num dos estúdios da RM que se chama M2.
O grupo actuou com Madala, Elvira Viegas, Gueguê, Elsa Mangue, Magid Mussá, Romualdo, António Maengane, Fany Pfumo, Camal Givá, Pacha Viegas e Rosália Mboa, entre outros.
Foi, para José Barata, uma experiência muito divertida.
VII – Fim das Bandas e Início da Carreira a Solo
Após a dissolução da banda M2 por desaparecimento do músico Fernando Azevedo e, mais tarde, Pacha Viegas, o grupo M2 ficou sem pernas para andar. José Barata quis formar um outro grupo, desta vez para actuações ao vivo em concertos. Contudo, o projecto não avançou dada a falta de tempo dos membros em perspectiva, para os ensaios, e a dificuldade de harmonização do tempo de ensaio, entre os membros.
José Barata entende que para se ser músico de qualidade é necessário dispôr de tempo para os ensaios, num mínimo de três horas por dia. A impossibilidade de conciliar a disponibilidade dos colegas para ensaios levou-o a abortar o projecto de formação de um novo grupo.
Não desistindo da ideia de continuar a actuar, embora cada vez mais convencido de que tal possibilidade era cada vez mais remota, José Barata veio a encontrar uma resposta à dificuldade de agregar outros músicos num novo grupo.
Vendo a actuação do músico Guilherme Silva num programa de televisão em 2000, ficou fascinado, ao observar que ele só tinha uma guitarra e pedais.
A ideia de actuar em conjunto estava a morrer aos poucos na mente de José Barata.
Comprou uns pedais na África do Sul e embarcou nesta aventura, tal como ele a chama, estando, até hoje, a actuar a solo. O seu problema de coordenação de ensaios estava resolvido, podendo ensaiar à hora que quisesse, sendo somente necessário ele coordenar consigo mesmo, como ele próprio diz.
VIII – Discografia
Entre 1980 e 1990 José Barata lançou “Sida Malume”, “Xonguile”, entre outros, que tiveram bastante sucesso.
José Barata gravou o seu primeiro álbum intitulado “O Melhor de José Barata” em 1997. Esta obra lançada pela editora Record Music e teve um reduzido número de cópias, 500 exemplares.

Após mais de uma década de espera, José Barata, em Setembro de 2014, lançou o seu segundo álbum com o mesmo nome “O Melhor de José Barata”, contendo nove músicas que eram recentes.
O disco foi gravado na ZEP, estúdio de Zé Pires, e patrocinado pelo FUNDAC (Fundo Para o Desenvolvimento Artístico e Cultural) e da Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH).
IX – Temática e Estilo de José Barata
José Barata diz inspirar-se na realidade diária nas suas criações musicais.
Diz ele, com efeito:
Eu, em minhas músicas, espelho a realidade. A maioria das minhas músicas não é sobre a minha vida, mas sobre as experiências que assisto e dos livros que leio. Coloco-me no lugar dos outros e escrevo.
Nos anos 1980, compôs uma canção sobre a problemática do Sida.
Aparentemente a música “Sida Malume” foi a primeira a versar sobre essa doença no País.
Na canção “Grito de Molwene”, José Barata coloca-se na pele de um menino de rua e narra o seu dia-a-dia. José Barata diz que, como pai, não é alheio a essa realidade, tal tocando-o profundamente. É assim que José Barata se coloca no lugar de um órfão que não tem quem o ampare.
Já em “Adriana”, do seu segundo álbum, José Barata narra as vivências de uma adolescente exposta aos perigos do mundo: prostituição, gravidez precoce, drogas, entre outros males. José Barata oferece um conselho:
Nós, os pais, temos de velar pelos nossos filhos e controlá-los antes que eles se percam e passem a controlar-nos.
José Barata vê-se como um compositor romântico, transmitindo este sentimento de romantismo na suas criações.
Apesar de o trabalho na música ser cansantivo e causador de tensão, não deixa de ter graça porque se trabalha divertido.
X – As peripécias de “Xonguile”
José Barata debruça-se nas suas músicas sobre problemas sociais.
O amor e a beleza da mulher Moçambicana são também temáticas marcantes na música de José Barata que diz:
Moçambique é um país repleto de mulheres bonitas. Tive o prazer de visitar as províncias deste vasto país e conheci-as. Na música ‘Xonguile’(linda/bela em changana, língua falada na região Sul de Moçambique), tentei retratar a sua beleza e formosura.
A música Xonguile passou nas rádios tornando-se um hino, dando, em consequência, maior impacto à sua carreira e fazendo o seu nome mais sonante, segundo a sua própria opinião.
XI – Encontro com o Presidente da República
A roupa dos membros da banda “Os Kwalas da lnvestro” era disponibilizada pela fábrica de vestuário e lá confeccionada.
Em 1978, por ocasião da actuação numa sessão de gala em que “Os Kwalas da lnvestro” actuaram e onde o Presidente da República, Samora Machel, esteve presente, os músicos estavam trajados a rigor enquanto tocavam.
Ao vê-los formalmente vestidos, o Presidente Samora disse-lhes que os músicos devem usar roupas de músicos, pois sendo eles indivíduos especiais, devem comportar-se como tal.
A fábrica seguiu as instruções presidenciais, tendo confeccionado outras vestes: túnicas e calças mais em consonância com o perfil dos artistas.
XII – Experiência Internacional
Em 1991 participou, como convidado, num festival de música africana na Europa (Holanda, Alemanha e Suíça), acompanhando a banda Marrabenta.
Foi uma experiência nova para o artista, que experimentou uma nova dinâmica de trabalho bem árduo. José Barata teve 12 dias vividos com intensidade, com as tardes preenchidas com ensaios, actuações à noite, e deslocações ao longo das manhãs, e a oportunidade de convivência com outros artistas renomados de todo o continente africano.
Em 1990, já a trabalhar a solo, a convite da Produtora Movimento de Aurélio Le Bon, esteve em digressão pela Holanda, Suiça, Áustria e Alemanha, a acompanhar o Grupo Marrabenta Moçambique, hoje extinto. Esta digressão permitiu alargar os seus conhecimentos e experiência.

Com Miriam Makeba, Sul Africana, em Berlim

Com Ivone Tchaka Tchaka, Sul Africana

Com Ray Phiri, Cantor e Guitarrista Sul Africano, em Maputo

José Barata, à esquerda, com o Pianista Adérito Gomate, o Cantor Youssou N’Dour, Senegalês e o Guitarrista José Guimarães, então do Grupo RM, em Berlim
José Barata está reformado da Rádio Moçambique após 35 anos de serviço, mantendo-se activo no circuito musical, actuando a solo em eventos, ou em bares e restaurantes.
José Barata sente que os 35 anos em que esteve a trabalhar na RM, é como se tivessem sido uma universidade.
José Barata diz, filosoficamente, que se fosse possível voltar atrás no tempo, não seria músico e teria optado pelos estudos, pois ser músico em Moçambique é estar sujeito a várias limitações.
XIV – Responsabilidade Social
Em 1993 participou no lançamento e divulgação do preservativo Jeito nas províncias do centro, Sofala, Manica e Tete, onde, naquela altura, a contaminação pelo Sida estava em níveis assustadores. Nessa digressão, contou com a participação dos músicos Stewart Sukuma, Albertina Pascoal, Romualdo e Gueguê.
Merecem realce as suas composições “Sida Malume Cuidado Mata” em 1987, numa altura em que pouco se sabia e conhecia do Sida, “Todos Pela Paz” em 1994 música de acompanhamento do poema do músico Tomás Moyana.
“Sida Malume” foi criada respondendo a uma solicitação do Ministério da Saúde, na altura dirigido por Leonardo Simão, de quem é também amigo. Não se falava do Sida em Moçambique e muito pouca gente sabia desta doença, deste vírus ou deste flagelo.
José Barata, José Guimarães e Aniano Tamele ofereceram as suas músicas para esse projeto do Ministério da Saúde, que se consubstanciou em “Sida Malume” no caso de José Barata.
XV – Cultura
José Barata teve um papel no panorama musical e cultural com o programa radiofónico “Nostalgia da Música Moçambicana” de sua produção e realização, radiodifundido no canal da Radio Cidade em Maputo de 1998 a 2000.
Na Televisão de Moçambique José Barata foi apresentador do Programa Masseve dedicado à divulgação da música Moçambicana.

Jimmy Dludlu, Filimone Meigos, Eldevina Materula, Ministro da Cultura e Turismo, Salimo Mohammed e José Barata, da esquerda para a direita, com três laureados do mundo da música

José Barata, à esquerda, com Miguel Xabindza e Wazimbo, na Assembleia da República
José Barata está preocupado com a pirataria.
A cantora Isabel Novella, no seu primeiro álbum, tendo como título o seu próprio nome interpreta a música “Xonguile”. Malgrado a satisfação de ver uma composição sua interpretada por outro artista, atestando o reconhecimento de mérito do autor, não escondeu a sua mágoa pela violação dos seus direitos de autor.
Tendo José Barata dado autorização ao pedido da produtora sul-africana Native Rhythms Productions e a Isabel Novella que lhe prometeu certa percentagem dos lucros pela utilização da musica, tal promessa não foi honrada.
Tendo falado com a SOMAS (Associação Moçambicana de Autores)para contactar a editora, a situação mantém-se, até hoje, inalterada até que Jose Barata desistiu.
Outro caso que desgosta José Barata é, apesar de ter participado na elaboração da música “Pela Paz” com Tomás Moiane, autor da letra, quando a música veio a público, a autoria conjunta de Tomás Moiane e José Barata foi completamente ignorada, tendo sido reconhecido outros artistas, em detrimento dos reais autores ou compositores.
XVII – AMMO
José Barata foi membro da direcção da Associação dos Músicos Moçambicanos – AMMO, na área do secretariado tendo-se desvinculado no seu segundo mandato.
A AMMO está empenhada na valorização dos músicos estando a lutar pelo melhor da música Moçambicana. José Barata vê que, em Moçambique, o músico não tem espaço, não tem estatuto socioprofissional, não sendo a música vista como profissão, havendo a ideia de que ser músico no País é sinónimo de ser bandido, marginal e revoltado.
XVIII – Sobre a Música em Moçambique
José Barata acredita que Moçambique tem tudo para ter uma indústria musical.
Olhando para o estágio da música Moçambicana, José Barata não tem dúvidas que a música Moçambicana está num bom estágio, havendo jovens que estão a surpreender.
Para tal, devem ser elaboradas políticas que facilitem o desenvolvimento, pensa o músico.
Apesar das adversidades, ele considera-se um músico feliz.
XIX – Parte afectiva
José Barata casou-se em 1977, depois de três meses de namoro, tendo sido um amor à primeira vista. A sua família era contra, acabando, contudo, por aceitar a sua escolha. De qualquer modo, foi um casamento de muito curta duração.
Após o colapso do seu efémero casamento, José Barata viveu maritalmente de 1992 a 1996 Depois desta experiência, José Barata, não voltou a casar-se.
José Barata tem cinco filhos, três rapazes e duas meninas, considerando-se um pai presente que não larga os filhos por nada.
XX – Reconhecimento
A 3 de Fevereiro de 2023 José Barata foi condecorado pelo Presidente da República, com a Medalha de Mérito de Artes e Letras.

Medalha de Mérito de Artes e Letras atribuída a José Barata

Com Salimo Mohammed ou Simeão Mazuze, à Esquerda



